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Morte de Trabalhador

Morte de trabalhador em rodeio expõe riscos no setor de eventos e leva SINTEPOPE a exigir responsabilização e reparação integral dos danos

Sindicato cobra respostas da Prefeitura de Careaçu (Sul de Minas), das empresas envolvidas e das entidades organizadoras após tragédia que vitimou jovem trabalhador durante a desmontagem das estruturas do Careaçu Rodeio Show.

A morte do trabalhador Luiz Fernando de Oliveira Coelho, de apenas 25 anos, durante a desmontagem das estruturas metálicas do Careaçu Rodeio Show, ocorrida em 25 de junho de 2026, transformou uma festa que movimentou milhares de pessoas em um episódio marcado pela dor, pelo luto e por graves questionamentos sobre as condições de segurança oferecidas aos profissionais que atuam nos bastidores dos grandes eventos.

Enquanto o público comemora o sucesso dos rodeios e espetáculos, milhares de trabalhadores enfrentam jornadas intensas, executando atividades de alto risco na montagem e desmontagem de palcos, arquibancadas, estruturas metálicas e equipamentos pesados. Foi nesse cenário que Luiz Fernando perdeu a vida durante a execução de suas atividades profissionais.

Tragédia exige respostas e não pode ser tratada como fatalidade

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Produção, Organização, Projetos e Eventos do Estado de Minas Gerais (SINTEPOPE-MG), Rodrigo Lopes da Silva toda morte ocorrida durante a prestação de serviços deve ser investigada com absoluto rigor. A entidade afirma que acidentes dessa natureza não podem ser tratados como meras fatalidades ou estatísticas. É indispensável apurar se todas as normas de saúde e segurança do trabalho foram efetivamente cumpridas, se havia planejamento adequado das atividades, treinamento dos trabalhadores, equipamentos de proteção, fiscalização contratual e gerenciamento dos riscos inerentes às operações.

Notificação cobra documentos, transparência e preservação das provas

Diante da gravidade do caso, o SINTEPOPE-MG encaminhou documentos à Prefeitura Municipal de Careaçu, requerendo a identificação de todas as empresas contratadas e subcontratadas envolvidas na montagem e desmontagem das estruturas, a apresentação dos contratos administrativos, documentos de fiscalização, programas de gerenciamento de riscos, Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), laudos técnicos e demais documentos relacionados ao acidente.

O sindicato também requereu a imediata preservação de todas as provas, incluindo imagens, registros, ordens de serviço, listas de presença, documentos de treinamento, fichas de entrega de equipamentos de proteção individual e demais elementos indispensáveis para o completo esclarecimento dos fatos.

Reparação integral dos danos à família da vítima

Além da rigorosa apuração das circunstâncias do acidente, o SINTEPOPE exige que sejam adotadas todas as providências necessárias para garantir a reparação integral dos danos sofridos pelos familiares de Luiz Fernando. Segundo a entidade, essa reparação deve compreender todas as verbas rescisórias, benefícios previdenciários, indenizações por danos materiais e morais, pensionamento dos dependentes, despesas funerárias, seguros eventualmente contratados e toda forma de indenização prevista na legislação brasileira, caso sejam reconhecidas responsabilidades decorrentes do acidente.

O sindicato também defende que sejam iniciadas tratativas para uma solução extrajudicial célere e digna, evitando que a família enfrente anos de litígios para obter direitos que a legislação assegura.

O crescimento do setor exige responsabilidade

O acidente ocorreu em uma etapa do Circuito Sul-Mineiro de Rodeio, iniciativa que reúne dezenas de municípios e importantes entidades do segmento, entre elas a Confederação Nacional de Rodeio (CNAR) e a Liga Nacional de Rodeio (LNR).

Para o sindicato, o crescimento econômico do setor de eventos deve caminhar lado a lado com o fortalecimento das políticas de prevenção, gestão de riscos e valorização da vida dos trabalhadores.

"Não é aceitável que profissionais responsáveis por erguer e desmontar as estruturas que viabilizam grandes eventos continuem expostos a riscos que podem ser prevenidos. Cada acidente fatal representa uma vida interrompida, uma família destruída e um alerta de que a segurança precisa deixar de ser apenas uma exigência formal para se tornar um compromisso efetivo de todos os envolvidos", afirma o presidente do sindicato, Rodrigo Lopes da Silva.

Sindicato anuncia medidas administrativas e judiciais

O SINTEPOPE informou que acompanhará todas as investigações conduzidas pelos órgãos competentes e que, caso sejam constatadas irregularidades, adotará todas as medidas administrativas, trabalhistas, cíveis e judiciais cabíveis para buscar a responsabilização dos envolvidos e assegurar a reparação integral dos danos causados.

A entidade também defenderá a intensificação da fiscalização das condições de trabalho em rodeios, shows, festivais e demais eventos realizados em Minas Gerais, reforçando que nenhuma programação de entretenimento pode se sobrepor ao direito fundamental à vida, à dignidade e à segurança dos trabalhadores.

"O sucesso de um evento jamais pode ser medido apenas pelo público presente ou pelo resultado financeiro. Ele também deve ser avaliado pelo respeito à vida daqueles que trabalham para que o espetáculo aconteça. Quando um trabalhador morre durante o exercício de sua profissão, toda a sociedade precisa exigir respostas, justiça e mudanças para que tragédias como essa jamais se repitam." concluiu Rodrigo Lopes da Silva.

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